Assédio sexual ainda é tema recorrente em várias universidades do país.
O relatório das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA, baseado em dois anos de pesquisas, relata que o assédio sexual nas universidades é mais comum do que nós imaginamos. Apesar do tema ser bastante grave, os dados obtidos são poucos, a última pesquisa feita em 2015 pelo instituto Avon, evidência que cerca de 56% das alunas de graduação e pós já sofreram com esse ato.
Se o assédio é frequente, porque os casos não vem à tona?
Por diversas razões, a principal é o medo. Medo de não ser levada a sério, medo dos seus companheiros, amigos e familiares acharem que é vitimismo. Por isso é tão importante as mulheres falarem, denunciarem e buscarem a justiça, pois só assim esses casos podem diminuir. Movimentos como o “NÃO É NÃO” viabilizam para a mudança do sexismo no qual durante décadas reina pelo país, mulheres passam a ter mais voz na sociedade, acarretando cada vez mais no debate de temas como esse e pesquisas como essas passam a serem mais realizadas.
Um caso de tentativa de importunação sexual ocorreu recentemente na Uninabuco, em Recife. Visitamos a Faculdade para saber a opinião dos alunos sobre o tema e como esse tipo de ato pode ser combatido no ambiente universitário.
Assista o vídeo a seguir:
Você sofreu violência no ambiente universitário? Se sim, saiba o que fazer:
*Caso você seja vítima de violência sexual, é necessário que vá até um hospital ou posto de saúde para tomar o anticoncepcional de emergência e um coquetel de antirretrovirais.
1) Busque a delegacia mais próxima e registre um Boletim de Ocorrência em até seis meses.
2) Procure a ouvidoria da universidade para abrir uma sindicância. Será aberto um processo administrativo para apurar o caso e uma sanção será definida com base no regimento da instituição.
3) A sindicância não deu em nada ou a universidade não seguiu com o processo administrativo? Dê início a uma ação cível indenizatória contra a universidade por omissão ou negligência.
4) Para dar continuidade ao processo penal, faça a representação em até seis meses. Inicie também uma ação cível indenizatória contra o agressor por danos morais e materiais. Essa ação terá o envolvimento de juiz, promotor e testemunhas.
Independentemente de qualquer escolha, converse com alguém. Um amigo, um familiar ou mesmo coletivos feministas das universidades, que têm experiência no acolhimento de vítimas de assédio. O importante é não se deixar silenciar.
*Todos os dados citados na reportagem foram retirados do Instituto Avon e da Academia Nacional de Ciência, Engenharia e Medicina dos EUA.